Dando sequência a ideia do Projeto Rumos, que discutimos assuntos variados para o desenvolvimento de Nepomuceno, eu não poderia deixar de falar sobre Internet, por dois motivos, é minha área de conhecimento profissional e é uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento sustentável da sociedade.
A Internet está provocando uma mudança muito séria na forma de gerar e disponibilizar conteúdo, está permitindo que os excluídos do
processo de geração possam, agora, levar suas ideias e pensamentos para todos os lugares do mundo, sem a interferência nefasta de uma geração centralizada. Até pouco tempo atrás, tínhamos que nos sujeitar a ver o que os produtores centrais queriam que víssemos, hoje estes produtores estão entrando em desespero porque não conseguem dar conta da demanda por conteúdo, seja áudio ou vídeo, de lazer, entretenimento, artes ou jornalismo. Basta ligar a televisão para percebermos quantas vezes os vídeos do Youtube são repetidos numa Grobu ou Recó para tentar manter a atenção cada vez mais dispersa de um telespectador com um controle remoto em mãos.
Um projeto abrangente de banda larga, sem aquelas besteiras que andam falando por aí, passa pela universalização do acesso. Hoje a comunicação é uma necessidade da sociedade tal como água e luz, ou seja, qualquer desenvolvimento sustentável tem, obrigatoriamente, que contar com o apoio no tripé: água, energia e comunicação de qualidade. Além disto, esta comunicação inclui desde telefonia fixa, móvel, Internet, até rádio e TV, lembrando que já é possível a convergência total destes serviços numa única plataforma ou infra-estrutura, a Internet, ou seja, existe tecnologia para que rádio, TV e telefonia, todos com mobilidade, sejam providos através, exclusivamente, da Internet – Operadoras de Comunicação Multimídia Quad Play. Assim, uma sociedade totalmente conectada através desta rede pode ter todos estes serviços num único ponto; isto só não acontece por questões puramente econômicas, por interesses dos poucos donos de operadoras de telecomunicações ou mesmo TV. Estes interesses é que fazem com que a Anatel, representando o governo, regule as telecomunicações de forma separada, atendendo explicitamente os interesses do capital e seus poucos donos. Por isto a universalização da banda larga com a agregação dos diversos serviços é o melhor caminho para o desenvolvimento sustentável, permitindo, no caso de Nepomuceno, sair do ciclo econômico agrícola e passar para tecnologia de ponta sem necessidade de entrar na era industrial, que gera os famosos bolsões de pobreza no entorno. Nepomuceno tem água de qualidade, energia de qualidade e com alta disponibilidade, só falta comunicação convergente de qualidade.
Um projeto de disponibilização de Internet na cidade, de forma ampla e gratuita, não pode ser feito pela metade e com interesses políticos, sob pena de se perder o bonde da história. Um projeto que disponibilize apenas um pontinho de rede, ou, como falam por aí, distribuir torres de rádio para todo lado fornecendo a felicidade para muita gente com um acesso ao Orkut e meia dúzia de besteiras é jogar dinheiro fora. Circo. Mesmo um projeto para disponibilizar apenas o acesso à Internet para toda a cidade deve usar tecnologia de ponta e uma excelente conexão com a rede, coisa que não existe aqui em Nepomuceno, será necessário chegar até a fibra ótica que passa pela Fernão Dias, de forma redundante, claro. Com isto será possível fornecer todos os serviços convergentes, até IPTV, além de telefonia IP em toda a cidade sem a necessidade de cobrança por ligações, além de telefonia móvel também via IP com smartphones.
Mas será que as operadoras gostarão disto? Óbvio que não. Por isto é importante a tentativa de estabelecer uma PPP (parceria público-privada) com alguma empresa de porte, que detenha todo o conhecimento deste tipo de solução, pois aqui não existe. É importante perceber que uma parceria precisa ser feita para que os investimentos numa rede deste porte em Nepomuceno, da ordem de 10 milhões de reais, possam ser absorvidos por uma empresa que operará esta rede e será remunerada através de contrato de longo prazo, pelo suporte notadamente. Outra opção seria a criação de uma autarquia municipal para esta finalidade, com a contratação de profissionais técnicos, treinamento dos aqui existentes nos laboratórios dos fornecedores de equipamentos (normalmente fora do país) e o município arcar com o investimento. De qualquer forma é importante uma análise mais detalhada entre os modelos de gestão deste empreendimento.
Projetos desta natureza podem ser financiados por várias instituições, ainda mais agora que poderá servir de modelo para outras implementações de Internet Convergente e Universal. Mas a manutenção e operação de uma rede deste tipo também não é barata, mas pode sair da elevação do IPTU e ISSQN, pois se o município oferece estes serviços é consequente o aumento do valor dos imóveis pela própria geração de riqueza associada ao crescimento econômico da cidade. Se os imóveis valem mais, a arrecadação aumenta. Se a cidade produz conteúdo e serviços de alta tecnologia, a arrecadação também aumenta.
Com certeza um projeto destes é quase uma utopia, uma cidade inteira com acesso livre e seguro a uma rede de serviços convergentes, sendo que o cidadão pagaria a mais apenas pelos serviços de canais especiais de TV (como numa TV por assinatura), ligações interurbanas (por conta da interconexão com outras redes) e serviços especiais. Mas uma cidade com uma rede destas atrairia muitas empresas modernas, como as de desenvolvimento de sistemas off-shore, produtoras de animações e vídeos, além dos prestadores de serviços em automação industrial convergente numa parceria frutífera com o CEFET.
Uma cidade totalmente digital e integrada abre as portas para as mais diversas formas de desenvolvimento, além, claro, de permitir que seu povo tenha acesso irrestrito a todo tipo de informação, aumentando consideravelmente o nível intelectual e cultural da cidade. Talvez seja uma surto psicótico, mas esta ideia é possível se as pessoas com o poder nas mãos resolverem quebrar alguns paradigmas.

Eventos Astronômicos.









Não podemos nos deixar deixar levar pelo termo “Cidade Digital” que muito se tem falado e mostrado na própria internet, com pequenos projetos das prefeituras fazendo uma coisinha aqui e outra e dizendo que estão informatizadas ou “digitais”. Cidade Digital significa muito mais. Significa conectar toda a comunidade de forma aberta, flexivel (wireless), usando tecnologia padrão na indústria e, principalmente, inovando, trazendo serviços que vão ao encontro das necessidades de seus cidadãos e empresas.